segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Promessa de estações

Sozinha,
Num lugar um tanto nevoado,
Brincalhona comigo mesma
Eu espero a volta de uma promessa.

Sozinha,
A saudade me enlouquece,
O medo de ir embora me corrói
E o único alívio é me abanar
Com o símbolo da promessa deixada.

Contemplando a fumaça chegando,
O barulho dos vagões parando,
Buscando em outros rostos aquele seu;
Em outros olhares a promessa cumprida.
Eu não enxergo muito além do meu limite.

Sozinha,
Conflitando comigo mesma,
Num lugar já destruído,
Eu sinto que é hora de ir.
Adeus.

Mas sozinha,
Com a promessa no coração
O tempo sempre volta
Para que não chegue o esperado outono.

Você retornou,
Mas não me procurou,
Eu eu estava lá,
Sozinha comigo mesma
Me debatendo em lembranças,
Promessas,saudades e esperas.
E você estava lá,
Inocente,
Olhando para a luz,
Decepcionado.

...

Enquanto a luz me tocava os olhos,
A face,
Eu pensava,Pois você poderia me ouvir.
Ouvir que não me senti honrado em carregar tal promessa.
Ouvir que voltarei de trem,
A cada três estações,
Num outono,
Para chorar as lágrimas que você guardou.

Nícholas Mendes (Puck Todd)

2 comentários:

juliana disse...

que lindo Nih!

inspiração: peça tres estaçoes certo?

^^

amei!

Le fils de la mort disse...

Mais uma vez vejo um excelente trabalho seu. Do jeito como você escreveu, é possível ouvir o barulho do trem, sentir o frio da neve, enfim, ter uma variada gama de sensações, as quais você é mestre em nos apresentar. Outro aspecto muito interessante nesse poema é a forma como você descreve uma situação melancólica sem partir para o exagero e sem deixá-la enfadonha, como se você conseguisse aprisioná-la dentro de um cristal, para ser observada e sentida, mas preservada. Esse efeito provém da constante associação entre a luz e os elementos outonais. Não posso deixar de falar também do último verso: "Para chorar as lágrimas que você guardou." Isso denota sem dúvida sua imensa genialidade, e fiquei realmente sem palavras pra expressar o quanto gostei dele. Sintetiza e arremata o conteúdo do poema maravilhosamente. Despeço-me parafraseando Camões: "Cesse tudo o que a Musa antiga canta/que um poeta mais alto se alevanta." Até o próximo post.

Notas do autor:

Coloquemos uma coisa na nossa cabeça;
Que ainda falta muito para um final.
Afinal ninguém define um final
Sem se empenhar no começo.

O final não é sinônimo de morte,
Não é antítese de início,
Não se compara com a vida
E não significa própriamente um final.

Se por acaso seu começo é fraco
E ainda teme um final,
Simples
Viva sempre no meio;
Pois é ai que você pensa que o livro não tem fim.

Nícholas Mendes (Puck Todd)

Tudo é mais do que pode parecer:

Tudo é mais do que pode parecer:
Veja as coisas com todos os olhos.