sábado, 29 de agosto de 2009

Dedos nus.

Havia um poeta...
Um poeta que não fazia poemas,
Não montava versos e nem rimas.
Havia um poeta...
Um poeta que tocava piano.

Havia um poeta...
Um poeta que amava
Tocava sinfonias para sua amada.
Havia um poeta...
Um poeta que morria de amor.

Padecia doente e solitário,
Seu olhar varava o vento,
Suas lágrimas caíam frias
Nas mãos gélidas de sua falecida.
Havia um poeta melancólico.

Havia um poeta que desfalecia
Instalou-se nele um câncer.
Tragava teus cigarros de tabaco,
Dedilhava lentamente o teu piano,
Aspirava e expirava fixas lembranças.

Havia um poeta...
E nele a morte cutucava as entranhas
Sem matá-lo.
Houve um poeta...
Um que amou e viveu morto.

Nícholas Mendes. (Puck Todd)


Agradecimentos: Fernando (Kross)

2 comentários:

Natalia disse...

gosteei! mas gostei mais ainda do "liberdade" que tava ali do ladinho!!

Fernando Neves [ KroSS ] disse...

Já me arrepiei ao ler: "um poeta que tocava piano."

E sem dúvida essa é a estrofe qu'eu mais gostei:
"Havia um poeta que desfalecia
Instalou-se nele um câncer.
Tragava teus cigarros de tabaco,
Dedilhava lentamente o teu piano,
Aspirava e expirava fixas lembranças."

Curti pakas k'ra.
E aquele final foi interessante: "Um que amou e viveu morto."

><'

De quebra vc ainda coloca um agradecimento ali. Nossa, vlwz msm...
^^
Não sei nem o que comentar. Fico lendo e lendo...

Mas é isso ae!
Desculpa a demora, tava meio enrolado aqui.

Notas do autor:

Coloquemos uma coisa na nossa cabeça;
Que ainda falta muito para um final.
Afinal ninguém define um final
Sem se empenhar no começo.

O final não é sinônimo de morte,
Não é antítese de início,
Não se compara com a vida
E não significa própriamente um final.

Se por acaso seu começo é fraco
E ainda teme um final,
Simples
Viva sempre no meio;
Pois é ai que você pensa que o livro não tem fim.

Nícholas Mendes (Puck Todd)

Tudo é mais do que pode parecer:

Tudo é mais do que pode parecer:
Veja as coisas com todos os olhos.